28/9/08

Marcelo Camelo - Sou (2008)

O Hermano (e xará) Marcelo Camelo se antecipou aos colegas e lançou o seu primeiro disco solo após o "recesso" da Banda. Camelo contou com a banda Hurtmold como músicos de apoio nessa incursão.
Ouvi o cd, e de cara se percebe que Camelo pegou o seu estilo que estava em "4", e elevou a quinta potência. Músicas bastante introspectivas, pra baixo e de difícil digestão até para quem já estava habituado com o som dos Hermanos.

O disco abre com a sonolenta "Téo e a gaivota", e é seguida pela bela "Tudo Passa". Percebe-se que a banda de apoio contribuiu bastante para o experimentalismo de Camelo, seguindo a mesma filosofia de melodias e acordes simples, a diferença é que nesta incursão solo existe um apelo instrumental bem maior (não entendam "apelo" como uma tentativa de enganar ou forçar algo).

Outra bela canção do cd é "Doce Solidão", que poderia muito ter sido feita há uns 30 anos atrás. "Janta" conta com a novata Mallu Magalhães cantando em inglês, essa situação já aconteceu na música brasileira quando Astrud Gilberto cantou "Garota de Ipanema" lá nos anos 60, com direito a Stan Getz e todo o mais.
"Liberdade" tem a participação de Dominguinhos no acordeon, essa eu deixo para o meu pai comentar. O disco fica um pouco mais animado com a marchinha "Copacabana".


Camelo, em lua de mel com a MPB

Enfim, "Sou" ou "Nós" (de cabeça para baixo), é um disco feito para quem gosta de mpb e quem gostou (e muito) do estilo que Camelo vinha empregando em "4". Além disso, é um disco que o ouvinte tem que estar preparado para ouvir, ou ouvir mais vezes (que não é o meu caso) com mais calma para não incorrer em opiniões precipitadas. Achei o disco que o disco está ente o conceito de fraco e razoável (apesar da boa iniciativa do experimentalismo em algumas canções), como o meu negócio é rock, não vou se duro com Camelo e comprar briga com meus amigos (rsrsrs),  termino aqui.
criado por blimbou    9:08 — Arquivado em: Sem categoria

23/9/08

Oasis - Dig out your soul (2008)

"Dig out your soul" traz de volta o Oasis ao cenário musical, depois de 3 anos sem material novo (o último foi o excelente disco "Don’t believe the truth"). O disco abre com "Bag ti up", com levadas de guitarras até então nunca usadas por Noel e Gem, chegando a lembrar um pouco o mesmo estilão utilizado pelo Radiohead em "Bodysnatcher", a bateria com som filtrado e alterado, dá uma cara diferente para o estilo que o Oasis quer passar durante o disco. "Bag it up" chega a lembrar "Go let it out", entretanto, tem uma cara mais épica.
O disco segue com a favorita do orkut "The turning", de fato é uma canção muito legal, seguindo a mesma linha da faixa anterior., "The Turning"  tem o seu final roubado de "Dear Prudence" dos Beatles na maior cara dura, coisas do Oasis mesmo . "Waiting for the rapture" é cantada por Noel, e é um exemplo de como uma canção consegue ter seu peso, sem necessariamente ser barulhenta.
O disco segue com "the shock of the lightening", a canção escolhida para o single inicial, o oasis resgata nessa canção aquele estilo que havia ficado esquecido em "Be here now", com direito a referências como "Magical mystery" no meio da letra. "The shock of the lightening" além do belo clipe, é composta por riffs de guitarras sobrepostas, com aquela levada que só o Oasis sabe fazer.
Como regra, todo disco do Oasis tem que ter uma obra de arte entre as composições, a minha eleita foi "I’m outta there", com direito a pianinho chupado de "jealous guy" de Lennon antes do refrão, o que não desmerece a canção, que fica no mesmo nível de "Champagne supernova", "All around the world", "Roll it over" e "Let there be love".

"Falling down" é outra boa canção cantada por Noel, fica registrado a cara de pau deles em colocar a bateria de "Tomorrow never knows". O disco também tem a ótima "To be where there’s life" e fecha com "Soldier on".

Oasis em turnê no Canadá, 2008
Recentemente a banda entrou em turnê, incluindo vários shows no Canadá. Tal escolha rendeu umas costelas quebradas para Noel, que foi agredido por um fão (ou seja lá o que for) durante  um show.
O disco ficou com um saldo final bom, tem uma proposta nova no estilo e na mixagem, e ao mesmo tempo resgata um pouco do que ficou para trás naquel oasis de 97.Não se trata do melhor disco dos maletas Gallagher, mas também não é um outro "Heathen chemistry".
Num ano com Coldplay, Radiohead, Verve e Oasis lançando coisa nova, é difícil ver o cenário britpop tão movimentado como este.

PS.: A bela capa é feita pelo artista Julian House, e o disco foi gravado nos estúdios Abbey road.

Até mais

criado por blimbou    13:40 — Arquivado em: Sem categoria

21/9/08

Uma exceção apenas…

Olá caros amigos e internautas,

Sei que andei demorando para postar material novo aqui, fui até alvo de ameaças no orkut rsrsrs.
Todos esses atrasos são devidos ao término de minha graduação em engenharia de pesca, e consequentemente com a elaboração de um tcc.
Nesta última sexta feira (19/09/08), foi a tão esperada data da defesa, e para alegria de todos fui aprovado com 9,8.


Momento    Face to Face   com a banca

Desculpe se não falei de guitarras, discos, cantores, causos e etc. dessa vez. O que eu vou dizer a seguir pode até parecer absurdo, mas defender um tcc é muuuuuuuuuito Rock n roll.

Abraços à todos

criado por blimbou    8:35 — Arquivado em: Sem categoria

6/9/08

A guitarra infinita de “Heroes”

Se sempre houve algo que me intrigou por anos, foi aquela introdução mágica e única da canção "Heroes" de David Bowie, aquele solo que "viaja pelo espaço"(como eu costumo dizer rsrsrs um amigo meu sempre diz que eu viajo muito quando uso essa expressão) e cria um climão único para essa canção (que pra mim é um dos maiores clássicos do rock).
A primeira vez que eu ouvi "Heroes", foi em uma fita K7 gravada de um vinil de um amigo em 1994. Desde então, essa guitarra espacial sempre me encantou. Mas o que há por trás desse solo tão impressionante e simples ao mesmo tempo ? As pessoas ? A Técnica ? Bem isso vocês saberão agora.

O "Sustain infinito" ou a "guitarra infinita" já era um antigo sonho de Brian Eno, que tentava experimentalmente conseguir resultados semelhantes em 1972. Entretanto, somente em 1973, ao trabalhar com o excelente guitarrista Robert Fripp (da banda de progressivo King Crimson), Eno conseguiu dar sons à sua imaginação. Através de trucagens de estúdio, delays e uso de tapes sobrepostos, Eno e Fripp conseguiram algo que fazia com que os solos "voassem" pelo espaço, podendo ser conferido no disco "No Pussyfooting" de Eno & Fripp, sobretudo na canção "Frippertronics".

Enquanto uns quebram, outros são rápidos… Fripp "cria" !

Apesar do advento da técnica, isso ficou restrito ao experimentalismo e aos discos de Eno. Anos mais tarde, Eno & Fripp participaram do discaço "Heroes" de David Bowie, introduzindo o efeito a pop music.

Desde então, guitarristas queriam usar o mesmo efeito de Fripp. Steve Hakett utilizava um efeito semelhante, mas não de sustain infinito, e sim um sustain temporário que se confundia com os teclados da época (o assunto Hakett fica para um post futuro).

Em 1976, o equipamento "Ebow" foi introduzido no mercado, o que proporcionava o famoso efeito, isso graças às vibrações magnéticas do equipamento. O curioso é que Fripp, é tão safo, mas tão safo, que nunca fez uso do ebow, e recorre a técnica clássica criada por ele e por Eno.

Ebow em ação

Anos depois, the Edge do U2 veio utilizar o ebow nos discos "the unforgettable fire" e "the Joshua tree" (aquele efeito da introdução de "with or without you"), The Edge deu uma cara nova para as guitarras dos anos 80. Muita gente fez uso desse equipamento, e de diferentes aplicações, por exemplo: The jesus and Mary Chain, usa o ebow numa tentativa de remeter às distorções empregadas por John Cale nos tempos de Velvet Underground; Cocteau Twins; Sigur Ros, e etc.

Dentre os que fizeram algo de novo com esse efeito (além do mestre Fripp, e de Hakett, David Gilmour,The Edge, Eddie Van Hallen), foi Jonny Greenwood do Radiohead que deu novos "ares" de desespero e sustains desenfreados ao sustain infinito, como se pode conferir em "Ok Computer" (um dos últimos discos de rock conceitual da nossa era).

Hoje em dia, o ebow é usado até mesmo por bandas de metal, vide aqueles solos rapidíssimos, graças, na maioria das vezes, ao "Tap" no braço da guitarra", o que torna qualquer um, um Flash nas guitarras.

Ao contrário do que diz a música, Fripp e Eno, não foram heróis por um dia, e sim por toda a eternidade.

Os fãs de rock e guitarristas agradecem.

criado por blimbou    13:54 — Arquivado em: Sem categoria
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://blognroll.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.