30/8/08

The Verve - Forth (2008)

Depois da separação da banda em 1998, muitos fãs (como eu), ficaram tristes com o final do Verve. "Urban Hymns" era o canto dos cisnes perfeito, músicas belíssimas, um excelente trabalho de produção, e a grande chance de colocar o Verve no mesmo top das grandes bandas da épocam com direito a clipes legais rolando nas paradas das mtvs. Infelizmente, tudo havia acabado naquele mesmo ano, e os integrantes seguiram as suas carreiras.
Ashcroft lançou 3 cds solos, discos muito bons por sinal, mas mesmo assim ainda faltava algo na parte instrumental.
Em 2007, a banda anunciou a volta com shows, e no final do mesmo ano prometeu um cd novo. Eu pirei, só de imaginar, que 10 anos depois, eu poderia ter a possibilidade ouvir novamente o Verve. Dessa vez, a banda não conta com o bom guitarrista Simon Tong (atualmente no lugar de Graham Cox) no blur. O restante do grupo, é o mesmo que acompanhou Ashcroft em "Urban Hymns".

Apesar de "Forth" ser o quarto álbum do grupo, não se deve confudir com "Fourth". "Forth" é um advérbio utilizado em expressões como "adiante" ou "fora", enquanto que "fourth" designaria quarto.

O primeiro hit do disco, é a canção "Love is noise", que o verve lançou primeiramente em um single. "Love is noise" é da pesada, e bem psicodélica, se mostrando uma prova de que o Verve ainda tem muita criatividade, e Ashcroft sabe administrar como ninguém os efeitos em seus vocais, tornando a música ímpar. A atmosfera alucinante criada por "Love is noise" é realmente algo indescritível, canção arrojada, rica em efeitos e marcadamente com a cara do Verve, sem ter ser uma revisitação de trabalhos anteriores.

"Sit and Wonder" abre o disco, e já mostra de cara que o Verve mantém a sua base musical, mas com novas abordagens, mais vigor nas guitarras e o vocal característico que Ashcroft. "Rather be" já nos remete ao estilo que Ashcroft andou emprengado em sua carreira, entretanto, as linhas melódicas de piano e guitarra, são puro Verve. "Judas" é leve, lembra o estilo de músicas de  "A nothern soul" , estilo que o Coldplay apreciou bastante.

The Verve 10 anos depois; sim, ainda tem bala na agulha.

Eu recomendo também as faixas: "Valium skies" (essa poderia compor "urban hymsn"), "Appalachian springs", "I see houses" , "Columbo" e "Numbness" (estilão do início da carreira).
O cd vem com duas faixas bônus "Mover" e "Chic Dub"; enquanto que, a versão em vinil vem com duas músicas da pesada chamada "Muhamad Ali " e "Ma Ma soul". As faixas bônus do vinil já foi convertida para mp3 e estão disponíveis, "Ma Ma soul" é uma pérola feita para premiar os amantes do vinil, e fica aquela pergunta no ar, "por que eles excluíram uma faixa tão legal como essa do álbum ?".

O disco é realmente muito bom, conseguiu cumprir com as expectativas, tudo bem que seria uma missão difícil para a banda conceber um novo "Urban Hymns" (que na minha opinião, juntamente com "Ok Computer" e "Be here now", são os melhores discos da década de 90). Mesmo assim, tem competência pra fazer um disco excelente como há muito não se ve, ainda mais se trantado de bandas que retornam depois de tanto tempo só querem ganhar mais uns trocados. Pelo menos esse aparentemente não é o caso do Verve, que não fez usofruto da separação para lançar cds com músicas ao vivo ou de sobras de estúdio, prática feita pora muita gente (um dia eu posto sobre isso).

É isso aí, 10 longos anos, e valeu a pena rever o o Verve.
Espero poder achar o cd original em alguma loja, abraços a todos.

criado por blimbou    17:58 — Arquivado em: Sem categoria

23/8/08

The Complete Eric Clapton (2008)

Foi lançada no muito inteiro a Autobiografia de Eric Patrick Clapton, um dos maiores guitarristas da história do rock n roll, o livro vem acompanhado de um CD com os maiores sucessos de Clapton. Nascido em 1945, o garoto britânico que costumava a brincar com lesmas na infância, foi criado pela avó. A mãe de Clapton havia deixado ele ainda bebê para viver com um soldado canadense, e anos mais tarde Clapton descobriu tal fato, o que afastou o jovem da família. A sua primeira guitarra foi dada de presente quando Clapton completou 13 anos.

Clapton ganhou notoriedade ao tocar no grupo The Yardbirds (mesma banda que revelou também Jimmy Page do Led Zeppelin, e Jeff Beck ). Após o Yardbirds, Clapton passou a tocar no John Mayall & The bluesbreakers em 1965, com sua Gibson em punhos e perfomances de tirar o fôlego, Clapton ganhou o apelido de "Deus da guitarra" graças a uma pichação. Clapton consegui incorporar ao rock a essência do blues, caracterizando Clapton como o primeiro grande guitarrista de solos psicodélicos da época, o qual associou as técnicas de improviso ao som visceral do rock que estava surgindo na época.

Famosa fotografia da pichação na estação de trem
Clapton fundou em 1966, o power trio Cream, juntamente com outros dois monstros, Jack Bruce e o "Mago" Ginger Baker. O grupo ficou marcado pelos shows e por sucessos como "I feel free", "Sunshine of your love " e a cover "Crossroads" de Robert Johnson e "White room", devidamente inclusas no cd.

Dentre todas as suas amizades do meio artístico, a mais significante foi a com o Beatle George Harrison, a amizade dos dois era tamanha, que os solos que eles bolavam para os seus grupos, eram mostrados primeiro para o amigo e depois para a banda. Clapton toca em "While my guitar gently weeps" do álbum branco dos beatles, enquanto que a canção "Savoy trufle" do mesmo álbum é uma homenagem de Harrison ao amigo. No começo dos anos 70, clapton viveu uma obsessão por Patty Boyd (esposa de Harrison), conseguindo até mesmo se casar com ela. E a amizade com Hariison ? Continuou firme e forte.

Amando loucamente a namoradinha de um amigo meu…

O cd também é contemplado com os sucessos "Layla", "tears in heaven" (feita para o filho que morreu tragicamente), "Change the World", "Sweet home chicago" (de Robert Johnson), "Cocaine", "Wonderful tonigth" (que já foi regravada até por Leandro e Leonardo !) e o reggae "I shot the sherrif". Tudo bem que faltam canções na coletânea, mesmo assim está valendo para quem não conhece ou torce o nariz para o Deus da guitarra.

Clapton reconhece que o alcoolismo foi o maior inimigo na sua vida particular, hoje em dia livre do álcool e das drogas, Clapton vive um casamento, que segundo, "é verdadeiro, e diferente dos anteriores".

Curiosamente, notei em vários vídeos ao longo desses anos que Clapton não utiliza o dedo mínimo em seus solos de guitarra. Mesmo com essa limitação o cara fez e faz a cabeça muita de muita gente.

Clapton é referência, se você toca guitarra ou pensa em ter uma, tem que pelo menos ter ouvido 3 caras na vida: Eric Clapton, Jeff Beck e Jimi Hendrix.

Long Live Clapton!!!

criado por blimbou    12:06 — Arquivado em: Sem categoria

12/8/08

Robert Johnson - The complete Recordings (1937)

O maior nome do blues do Mississipi não deveria em hipótese alguma ser esquecido neste Blog. Johnson foi uma das figuras mais lendárias e folclóricas da música norte america e influenciou gente como Eric Clapton, Jimi Hendrix, Rolling Stones, White Stripes, Led Zeppelin e etc.

Além das boas canções , Johnson também era muito conhecido pela sua fama de mulherengo o que lhe rendeu muitas aventuras e boatos.

Em 1938 Johnson bebeu whisky envenenado com estricnina, supostamente preparado por um marido ciumento de uma de suas amantes. Johnson se recuperou do envenenamento, mas contraiu pneumonia e morreu 3 dias depois, em 16 de Agosto de 1938, em Greenwood, Mississippi. Há várias versões populares para sua morte: que haveria morrido envenenado pelo whisky, que haveria morrido de sífilis e que havia sido assassinado com arma de fogo.

Johnson deixou um acervo com 42 canções gravadas por ele no Delta studio , entre elas "Love in vain" , "Crossroads" e "Sweet home Chicago". A técnica apurada de Johnson fazia parecer que ele tocava dois violões ao mesmo tempo, segundo Johnson era o Diabo quem tocava junto !!!

criado por blimbou    11:27 — Arquivado em: Sem categoria

11/8/08

Beck - Modern Guilt (2008)

Lançado há alguns dias, "Modern guilt" é mais uma comprovação de que o inventivo e sempre inovador Beck ainda tem muito a proporcionar ao rock atual. O disco abre com "Orphans", com uma batida à lá "tomorrow never knows", com alguns efeitos psicodélicos e uma levada muito legal, que nos remete aos anos 60 sem ter que necessariamente tentar soar como uma das bandas da época.
"Orphans" se encaixaria em qualquer disco de 67, o destaque é a participação de Cat Power.
O disco segue com "Gamma ray", cuja levada lembra o "surf" dos tempos do long board.


Temendo chuva de idéias sr. Beck ?

"Chemtrails" dá uma quebra nas levadas anteriores, e busca através de vocais mais melosos e um belo refrão criar sua própria atmosfera, se configurando como uma das canções mais legais do disco, especial para se ouvir em uma sala escura. Se eu fosse o produtor do disco faria o possível para que "Chemtrails" fechasse o disco. A faixa título do álbum, tem uma interessante linha baixo-guitarra- bateria que eu só ser usado por bandas recentes como o Queens of the Stone Age em "No one knows". "Walls" também conta com a participação de Cat Power. "Replica" é certamente a mais "Radioheadiana" das canções desse álbum com certeza, lembra muito o estilo da fase de "amnesiac" da turma de Yorke e Cia.

"Profanity prayers" tem uma levada que já se aproxima bastante do "indie" atual, com riffs e baixos que remetem a um strokes, mas logicamente à maneira Beck de se fazer rock.

No final das contas é um ótimo disco de se ouvir, no qual Beck além de expressar suas influências, consegue impor o seu estilo único e marcante.
criado por blimbou    21:05 — Arquivado em: Sem categoria

5/8/08

O mito chamado Legião Urbana…

Os anos 80 no Brasil foram marcados pelo início de uma nova era, uma era em que a opressão da ditadura militar daria espaço ao presidencialismo e a liberdade de expressão. Nesse contexto, os jovens brasileiros, carentes de informação e cultura, estariam suscetíveis a qualquer idealista que aparecesse. Eis que em 1983, surge a Legião Urbana, chefiada por Renato Russo e seu colegas Dado Villa-lobos e Marcelo Bofá.

Russo e seus amigos eram de classe de média, e tinham condições de importar LPs de rock como os do U2, The Smiths e The Cure, coisa que 99,9% dos jovens brasileiros daquela época não podiam fazer. Era muito comum ver jovens que curtiam Roberto Carlos, Wanderlei Cardoso e etc na época, pois era o gosto dos pais. Sob a influência do pop - rock europeu que estava começando com tudo na época, o Legião decidiu fazer o seu som totalmente modelado nessas bandas que eu citei. Modelou tanto, que chega copiar de forma descarada, isso pode ser visto em canções como "Ainda é cedo" , cuja sua linha guitarra - piano lembra muito a que é utilizada pelo U2 em "New years day" do disco "War" de 1983 (isso sem contar com o baixo da introdução , que foi uma tentativa frustrada de copiar o solo de Clayton), outro indício está na canção "Será", a qual usa sinos em determinados momentos, tal como o U2 fez em canções do álbum "Boy" de 1980. Russo também teve a iniciativa de escrever letras com duplo sentido, sempre fazendo menção à sua opção sexual, uma prática que foi muito utlizada por Morrissey dos Simths.


Criador e criatura… será que Russo gostava mesmo de flores?

Como já disse, Russo era de classe média, assim como Cazuza , foi um rebelde sem causa, ou seja, eram Punks de Boutique. Não viveu as agruras que muita gente famosa passou durante os anos 60 e 70 no mesmo país em virtude da censura. Ele com suas letras rasas, conseguia empolgar muita gente que na época nem fazia idéia do que era U2 ou Smiths, e aquilo era a forma mais acessível de transgressão cultural que os pobrezinhos poderiam ter na época.

As perfomances de Russo, sempre tentando copiar o estilo de dança de Ian Curtis misturado com Morrissey, e as roupas sempre buscando o jeitão de Jim Morrison.


Jogo dos sete erros…

Copiar é um ato muito comum na música, os próprios Beatles já foram acusados, Lennon reconhece que plagiou "Come together" de uma canção de Chuck Berry chamada "You can’t catch me". O Oasis fez isso a vida inteira, e muitos outros também. O problema é que a Legião de fãs do Legião não reconhece isso , e muito menos aceita essas afirmações. Copiar é natural, mas se for copiar faz direito né, coisa que o Legião fazia muito mal. Dado Villa-lobos, é o mais fraco dos guitarristas que já vi nessa vida, pois só sabia tocar escalas quadradas, quem é músico, sabe do que eu estou falando, e mesmo assim, tem gente que o trata como um Hendrix do Brasil, nem Sérgio Dias tem o reconhecimento merecido… mas Villa-lobos, é ídolo em qualquer rodinha com violão.

Russo ser considerado um poeta é um ato hipócrita, não se pode comparar Russo a verdadeiros poetas como Drumond , Quintana ou Arnaldo Antunes. Russo estaria para poesia como Paulo Coelho estaria para a Literatura de fato. Reconheço que ele escreveu algumas canções cujas letras são interessantes, restringindo-se apenas a algumas canções mesmo. Costumo a dizer que "Vento no litoral" foi um susto poético em que a inspiração veio de sopetão e deu esse prêmio, que talvez é a única canção do Legião que faço questão de enaltecer.

Russo faleceu em 1996, por conseqüência da AIDS que na verdade foi fruto de sua irresponsabilidade, assim como Kurt Cobain, foi irresponsável em cometer suicídio, deixando uma órfã pequena. Em ambos ois casos, os dois foram martirizados na década de 90, alavancando a carreira solo dos integrantes restantes. Sendo que tanto de Nirvana , quanto de Legião Urbana, somente Dave Grohl deu certo, não precisa nem falar no que deu a carreira solo de Villa-lobos.

Personagens viraram mitos sem merecer, como Che Guevara (assassino sem escrúpulos, que figura até hoje em camisas e adesivos), Tiradentes (que teve um visual refeito nos livros de história semelhante ao de Jesus Cristo), Lampião (que tem até estátua, matou e aconteceu no nordeste brasileiro) e Raul Seixas (que descaradamente assinou junto com Paulo Coelho a autoria de "eu nasci há 10.000 atrás", canção de domínio público). É nesse mesmo contexto que se insere Russo e Cobain.

Russo foi esperto, nunca fez uma cover de U2 ou Smiths, pois saberia que daria muito na cara. Sempre buscou coisas diferentes, como PIL e até mesmo Menudos !

Vira e mexe, sai algo novo sobre o Legião Urbana, uma sobra de estúdio… um disco esquecido e etc… sempre terá "Mais do mesmo"… guitarras pobres, letras ambíguas rasas, com referências políticas sem necessidade… afinal, se Russo quisesse mudar o país, que não fosse cantando, e sim aproveitando que estava em Brasília, e se candidatando a alguma coisa.

criado por blimbou    17:39 — Arquivado em: Sem categoria
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