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Terra Blog

06.09.08

A guitarra infinita de

Se sempre houve algo que me intrigou por anos, foi aquela introdução mágica e única da canção "Heroes" de David Bowie, aquele solo que "viaja pelo espaço"(como eu costumo dizer rsrsrs um amigo meu sempre diz que eu viajo muito quando uso essa expressão) e cria um climão único para essa canção (que pra mim é um dos maiores clássicos do rock).
A primeira vez que eu ouvi "Heroes", foi em uma fita K7 gravada de um vinil de um amigo em 1994. Desde então, essa guitarra espacial sempre me encantou. Mas o que há por trás desse solo tão impressionante e simples ao mesmo tempo ? As pessoas ? A Técnica ? Bem isso vocês saberão agora.

O "Sustain infinito" ou a "guitarra infinita" já era um antigo sonho de Brian Eno, que tentava experimentalmente conseguir resultados semelhantes em 1972. Entretanto, somente em 1973, ao trabalhar com o excelente guitarrista Robert Fripp (da banda de progressivo King Crimson), Eno conseguiu dar sons à sua imaginação. Através de trucagens de estúdio, delays e uso de tapes sobrepostos, Eno e Fripp conseguiram algo que fazia com que os solos "voassem" pelo espaço, podendo ser conferido no disco "No Pussyfooting" de Eno & Fripp, sobretudo na canção "Frippertronics".


Enquanto uns quebram, outros são rápidos... Fripp "cria" !


Apesar do advento da técnica, isso ficou restrito ao experimentalismo e aos discos de Eno. Anos mais tarde, Eno & Fripp participaram do discaço "Heroes" de David Bowie, introduzindo o efeito a pop music.

Desde então, guitarristas queriam usar o mesmo efeito de Fripp. Steve Hakett utilizava um efeito semelhante, mas não de sustain infinito, e sim um sustain temporário que se confundia com os teclados da época (o assunto Hakett fica para um post futuro).

Em 1976, o equipamento "Ebow" foi introduzido no mercado, o que proporcionava o famoso efeito, isso graças às vibrações magnéticas do equipamento. O curioso é que Fripp, é tão safo, mas tão safo, que nunca fez uso do ebow, e recorre a técnica clássica criada por ele e por Eno.



Ebow em ação


Anos depois, the Edge do U2 veio utilizar o ebow nos discos "the unforgettable fire" e "the Joshua tree" (aquele efeito da introdução de "with or without you"), The Edge deu uma cara nova para as guitarras dos anos 80. Muita gente fez uso desse equipamento, e de diferentes aplicações, por exemplo: The jesus and Mary Chain, usa o ebow numa tentativa de remeter às distorções empregadas por John Cale nos tempos de Velvet Underground; Cocteau Twins; Sigur Ros, e etc são outros exemplos.

Dentre os que fizeram algo de novo com esse efeito (além do mestre Fripp, e de Hakett, David Gilmour,The Edge, Eddie Van Hallen), foi Jonny Greenwood do Radiohead que deu novos "ares" de desespero e sustains desenfreados ao sustain infinito, como se pode conferir em "Ok Computer" (um dos últimos discos de rock conceitual da nossa era).

Hoje em dia, o ebow é usado até mesmo por bandas de metal, vide aqueles solos rapidíssimos, cgraças, na maioria das vezes, ao "Tap" no braço da guitarra", o que torna qualquer um, um Flash nas guitarras.

Ao contrário do que diz a música, Fripp e Eno, não foram heróis por um dia, e sim por toda a eternidade.

Os fãs de rock e guitarristas agradecem.

  • criado por  blimbou criado por blimbou
  • Postado em 13:54:26

30.08.08

The Verve - Forth (2008)



Depois da separação da banda em 1998, muitos fãs (como eu), ficaram tristes com o final do Verve. "Urban Hymns" era o canto dos cisnes perfeito, músicas belíssimas, um excelente trabalho de produção, e a grande chance de colocar o Verve no mesmo top das grandes bandas da épocam com direito a clipes legais rolando nas paradas das mtvs. Infelizmente, tudo havia acabado naquele mesmo ano, e os integrantes seguiram as suas carreiras.
Ashcroft lançou 3 cds solos, discos muito bons por sinal, mas mesmo assim ainda faltava algo na parte instrumental.
Em 2007, a banda anunciou a volta com shows, e no final do mesmo ano prometeu um cd novo. Eu pirei, só de imaginar, que 10 anos depois, eu poderia ter a possibilidade ouvir novamente o Verve. Dessa vez, a banda não conta com o bom guitarrista Simon Tong (atualmente no lugar de Graham Cox) no blur. O restante do grupo, é o mesmo que acompanhou Ashcroft em "Urban Hymns".

Apesar de "Forth" ser o quarto álbum do grupo, não se deve confudir com "Fourth". "Forth" é um advérbio utilizado em expressões como "adiante" ou "fora", enquanto que "fourth" designaria quarto.

O primeiro hit do disco, é a canção "Love is noise", que o verve lançou primeiramente em um single. "Love is noise" é da pesada, e bem psicodélica, se mostrando uma prova de que o Verve ainda tem muita criatividade, e Ashcroft sabe administrar como ninguém os efeitos em seus vocais, tornando a música ímpar. A atmosfera alucinante criada por "Love is noise" é realmente algo indescritível, canção arrojada, rica em efeitos e marcadamente com a cara do Verve, sem ter ser uma revisitação de trabalhos anteriores.

"Sit and Wonder" abre o disco, e já mostra de cara que o Verve mantém a sua base musical, mas com novas abordagens, mais vigor nas guitarras e o vocal característico que Ashcroft. "Rather be" já nos remete ao estilo que Ashcroft andou emprengado em sua carreira, entretanto, as linhas melódicas de piano e guitarra, são puro Verve. "Judas" é leve, lembra o estilo de músicas de  "A nothern soul" , estilo que o Coldplay apreciou bastante.


The Verve 10 anos depois; sim, ainda tem bala na agulha.

Eu recomendo também as faixas: "Valium skies" (essa poderia compor "urban hymsn"), "Appalachian springs", "I see houses" , "Columbo" e "Numbness" (estilão do início da carreira).
O cd vem com duas faixas bônus "Mover" e "Chic Dub"; enquanto que, a versão em vinil vem com duas músicas da pesada chamada "Muhamad Ali " e "Ma Ma soul". As faixas bônus do vinil já foi convertida para mp3 e estão disponíveis, "Ma Ma soul" é uma pérola feita para premiar os amantes do vinil, e fica aquela pergunta no ar, "por que eles excluíram uma faixa tão legal como essa do álbum ?".

O disco é realmente muito bom, conseguiu cumprir com as expectativas, tudo bem que seria uma missão difícil para a banda conceber um novo "Urban Hymns" (que na minha opinião, juntamente com "Ok Computer" e "Be here now", são os melhores discos da década de 90). Mesmo assim, tem competência pra fazer um disco excelente como há muito não se ve, ainda mais se trantado de bandas que retornam depois de tanto tempo só querem ganhar mais uns trocados. Pelo menos esse aparentemente não é o caso do Verve, que não fez usofruto da separação para lançar cds com músicas ao vivo ou de sobras de estúdio, prática feita pora muita gente (um dia eu posto sobre isso).

É isso aí, 10 longos anos, e valeu a pena rever o o Verve.
Espero poder achar o cd original em alguma loja, abraços a todos.
  • criado por  blimbou criado por blimbou
  • Postado em 17:58:31

23.08.08

The Complete Eric Clapton (2008)



Foi lançada no muito inteiro a Autobiografia de Eric Patrick Clapton, um dos maiores guitarristas da história do rock n roll, o livro vem acompanhado de um CD com os maiores sucessos de Clapton. Nascido em 1945, o garoto britânico que costumava a brincar com lesmas na infância, foi criado pela avó. A mãe de Clapton havia deixado ele ainda bebê para viver com um soldado canadense, e anos mais tarde Clapton descobriu tal fato, o que afastou o jovem da família. A sua primeira guitarra foi dada de presente quando Clapton completou 13 anos.

Clapton ganhou notoriedade ao tocar no grupo The Yardbirds (mesma banda que revelou também Jimmy Page do Led Zeppelin, e Jeff Beck ). Após o Yardbirds, Clapton passou a tocar no John Mayall & The bluesbreakers em 1965, com sua Gibson em punhos e perfomances de tirar o fôlego, Clapton ganhou o apelido de "Deus da guitarra" graças a uma pichação. Clapton consegui incorporar ao rock a essência do blues, caracterizando Clapton como o primeiro grande guitarrista de solos psicodélicos da época, o qual associou as técnicas de improviso ao som visceral do rock que estava surgindo na época.


Famosa fotografia da pichação na estação de trem


Clapton fundou em 1966, o power trio Cream, juntamente com outros dois monstros, Jack Bruce e o "Mago" Ginger Baker. O grupo ficou marcado pelos shows e por sucessos como "I feel free", "Sunshine of your love " e a cover "Crossroads" de Robert Johnson e "White room", devidamente inclusas no cd.

Dentre todas as suas amizades do meio artístico, a mais significante foi a com o Beatle George Harrison, a amizade dos dois era tamanha, que os solos que eles bolavam para os seus grupos, eram mostrados primeiro para o amigo e depois para a banda. Clapton toca em "While my guitar gently weeps" do álbum branco dos beatles, enquanto que a canção "Savoy trufle" do mesmo álbum é uma homenagem de Harrison ao amigo. No começo dos anos 70, clapton viveu uma obsessão por Patty Boyd (esposa de Harrison), conseguindo até mesmo se casar com ela. E a amizade com Hariison ? Continuou firme e forte.


Amando loucamente a namoradinha de um amigo meu...

O cd também é contemplado com os sucessos "Layla", "tears in heaven" (feita para o filho que morreu tragicamente), "Change the World", "Sweet home chicago" (de Robert Johnson), "Cocaine", "Wonderful tonigth" (que já foi regravada até por Leandro e Leonardo !) e o reggae "I shot the sherrif". Tudo bem que faltam canções na coletânea, mesmo assim está valendo para quem não conhece ou torce o nariz para o Deus da guitarra.

Clapton reconhece que o alcoolismo foi o maior inimigo na sua vida particular, hoje em dia livre do álcool e das drogas, Clapton vive um casamento, que segundo, "é verdadeiro, e diferente dos anteriores".

Curiosamente, notei em vários vídeos ao longo desses anos que Clapton não utiliza o dedo mínimo em seus solos de guitarra. Mesmo com essa limitação o cara fez e faz a cabeça muita de muita gente.

Clapton é referência, se você toca guitarra ou pensa em ter uma, tem que pelo menos ter ouvido 3 caras na vida: Eric Clapton, Jeff Beck e Jimi Hendrix.

Long Live Clapton!!!
  • criado por  blimbou criado por blimbou
  • Postado em 12:06:34

12.08.08

Robert Johnson - The complete Recordings (1937)



O maior nome do blues do Mississipi não deveria em hipótese alguma ser esquecido neste Blog. Johnson foi uma das figuras mais lendárias e folclóricas da música norte america e influenciou gente como Eric Clapton, Jimi Hendrix, Rolling Stones, White Stripes, Led Zeppelin e etc.

Além das boas canções , Johnson também era muito conhecido pela sua fama de mulherengo o que lhe rendeu muitas aventuras e boatos.

Em 1938 Johnson bebeu whisky envenenado com estricnina, supostamente preparado por um marido ciumento de uma de suas amantes. Johnson se recuperou do envenenamento, mas contraiu pneumonia e morreu 3 dias depois, em 16 de Agosto de 1938, em Greenwood, Mississippi. Há várias versões populares para sua morte: que haveria morrido envenenado pelo whisky, que haveria morrido de sífilis e que havia sido assassinado com arma de fogo.

Johnson deixou um acervo com 42 canções gravadas por ele no Delta studio , entre elas "Love in vain" , "Crossroads" e "Sweet home Chicago". A técnica apurada de Johnson fazia parecer que ele tocava dois violões ao mesmo tempo, segundo Johnson era o Diabo quem tocava junto !!!
  • criado por  blimbou criado por blimbou
  • Postado em 11:27:36

11.08.08

Beck - Modern Guilt (2008)


Lançado há alguns dias, "Modern guilt" é mais uma comprovação de que o inventivo e sempre inovador Beck ainda tem muito a proporcionar ao rock atual. O disco abre com "Orphans", com uma batida à lá "tomorrow never knows", com alguns efeitos psicodélicos e uma levada muito legal, que nos remete aos anos 60 sem ter que necessariamente tentar soar como uma das bandas da época.
"Orphans" se encaixaria em qualquer disco de 67, o destaque é a participação de Cat Power.
O disco segue com "Gamma ray", cuja levada lembra o "surf" dos tempos do long board.


Temendo chuva de idéias sr. Beck ?


"Chemtrails" dá uma quebra nas levadas anteriores, e busca através de vocais mais melosos e um belo refrão criar sua própria atmosfera, se configurando como uma das canções mais legais do disco, especial para se ouvir em uma sala escura. Se eu fosse o produtor do disco faria o possível para que "Chemtrails" fechasse o disco. A faixa título do álbum, tem uma interessante linha baixo-guitarra- bateria que eu só ser usado por bandas recentes como o Queens of the Stone Age em "No one knows". "Walls" também conta com a participação de Cat Power. "Replica" é certamente a mais "Radioheadiana" das canções desse álbum com certeza, lembra muito o estilo da fase de "amnesiac" da turma de Yorke e Cia.
"Profanity prayers" tem uma levada que já se aproxima bastante do "indie" atual, com riffs e baixos que remetem a um strokes, mas logicamente à maneira Beck de se fazer rock.
No final das contas é um ótimo disco de se ouvir, no qual Beck além de expressar suas influências, consegue impor o seu estilo único e marcante.
  • criado por  blimbou criado por blimbou
  • Postado em 21:05:46